Project
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A área de intervenção da proposta apresentada pode ser descrita como um enclave triangular, delimitado a Norte pela Avenida Lusíada (via urbana com características de via rápida), a Oeste pela Segunda Circular e a Sul pela Rua Professor Reinaldo dos Santos (arruamento urbano de carácter local). Importa ainda considerar, como elemento estruturante desta parcela do território, a ligação entre uma pequena praça situada no extremo Oeste do terreno e a Praça da Revista Militar — um importante nó de transportes rodoviários — através de uma ponte pedonal.
Do ponto de vista orográfico, o local de implantação do edifício desportivo apresenta-se como uma pequena colina que protege a Rua Professor Reinaldo dos Santos da vista e do ruído, reforçando o seu carácter urbano. Funcionalmente, e no extremo Este, existe um pequeno parque de estacionamento em solo não pavimentado. A vegetação observada é maioritariamente autóctone e caracteriza-se essencialmente como um espaço residual e expectante, resultante do traçado das várias infraestruturas viárias. Mesmo junto aos arruamentos de carácter urbano, verifica-se a inexistência de infraestruturas qualificadas, nomeadamente espaços pedonais claramente diferenciados da circulação automóvel.
A análise das características morfológicas do terreno conduziu à definição da estratégia de intervenção, tendo em conta o uso e o programa propostos. Considerando o enquadramento envolvente e as vias de circulação que, a Norte e a Oeste, configuram um espaço canal sem características urbanas, não se revelou pertinente adoptar uma abordagem conceptual assente numa leitura clássica de figura activa sobre fundo passivo — isto é, um edifício que afirma a sua singularidade como objecto construído, isolado ou não. Nesse sentido, e reconhecendo a importância da barreira topográfica que a colina representa face às vias de circulação, optou-se por manter essa condição.
Colocou-se, então, a questão fundamental: onde construir? E de que forma poderia essa construção potenciar novos espaços para a cidade, bem como novas dinâmicas e lógicas urbanas?
A análise do estudo geotécnico disponibilizado no âmbito do concurso permitiu identificar a cota 82 como a mais adequada para a implantação altimétrica do edifício, em função das suas condições geomorfológicas e da consistência do solo. Esta cota localiza-se muito próxima da pequena praça situada a Oeste, que estrutura a receção da ponte pedonal de ligação à Praça da Revista Militar. A escolha resultou da articulação entre estes dois factores: a cota de implantação e a manutenção da topografia existente.
A partir destes pressupostos, optou-se por “escavar” o centro da colina, gerando o espaço interior necessário à implantação do edifício. A Sul, muros de betão contêm o terreno e definem o limite entre o espaço público e o privado, criando passeios generosos e zonas de estacionamento paralelo à via, conferindo-lhe um carácter claramente urbano. A Sudoeste, a pequena praça expande-se e transforma-se num espaço público qualificado, delimitado por uma topografia que alterna entre plataformas utilizáveis — quase como um grande auditório natural — e taludes suaves que articulam as diferentes cotas. Esta praça assinala também os principais acessos ao edifício.
Uma caixa abstracta pousa de forma contida sobre a colina, sinalizando a presença do espaço desportivo criado. Em torno dela desenvolve-se um extenso jardim de usufruto público, complementado por um parque de estacionamento arborizado a Este. O programa solicitava o projecto de um edifício; optou-se por apresentar um jardim onde a construção se adapta à topografia, diluindo as fronteiras entre o natural e o artificial e assumindo plenamente a sua condição tectónica. Mais do que uma figura activa sobre um fundo passivo, trata-se de uma paisagem activada, capaz de potenciar novos usos e apropriações.
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Localização
Lisboa, Portugal
Ano
2023
Área de Construção
3054 m²
Estado
Concurso Público, 4º Lugar










Equipa
TAEP/AAP + CASCA
Telmo Rodrigues, Mariana Neves, João Costa, Lionel Estriga, Tiago Lopes, Pedro Miranda, Federica Fortugno, Rafael Fortes, Carla Barroso
Arquitectura Paisagista: Atelier Peninsular
Estruturas: José Pedro Venâncio
Especialidades (MEP): Jorge Vieira, José Manuel Cardoso, Darco Cuculic, José Carlos Correia, Maria Gabriela Ferreira
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